domingo, 23 de dezembro de 2007

Minha árvore de Natal


Quem montará a árvore de natal?
Eu, definitivamente, me abstenho,
quero só observar quem
terá a iniciativa...
mas não devo eu esquecer de
que a observação
não faz desvanecer
a minha existência
e enquanto eu espero,
esperam de mim...
"- se eu não monto, quem montará?"
é algo que também se passa
em outras cabeças!

por Henri

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Septilha poética da maquinação indesejada


Vivemos conscientes,
de uma consciência banida
dos olhos da lógica programada.
Somos desconsciência dessa
nossa heteronomia criativa,
que só nos pode parecer
independentemente compromissada.

Está despedida
a vontade querida
pelos sujeitos de vai-vem vida.
E embolados estes num jogo de bem e mal
em que não existe
revezamento de estágios.
Já passam das horas vindouras.

As campanhas da sina
imperam a ordem bem-vinda
em que cacos não sobram
do esbarrão mais público, feito de
câmbio de feridas.
E há quem diga que tudo não passa
de vida em momentos,

resíduo de Carpe Diem
que só faz sobrar o bagaço
mais exaurido daquela origem.
Um resíduo também mutilante que
mutilando o olhar do sujeito
só deixa em pé um olho paralítico
sobre a etimologia da expressão.

Somos a inconsciência
provinda da consciência incerta e
despedaçados em gente molesta,
cancelados na impetuosidade atômica
ou em moléculas em crise crônica.
São as superfícies que aumentam
pela incapacidade, fraca, das interações.

E no barômetro, não assusta
que já se tenha perdido a escala.
E o termômetro, ora, na certeza de si,
em negativo indica nossa ebulição.
Pasmo do zero absoluto
não ser tão bem na física levado
quanto nessa confraternização.

por Henri

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Emoldurado de chuva hermética


Nem sempre é outono,
e o café que deixava sem sono
gentil se inclina já consumido
pra vislumbrar a flor sem colorido...

Café amargo, quando não lhe açucararam?

Quando as vidas não se entreolharam?

Flor de muitos ciclos da lua...
que desabrocha, despetala, encrua,
qual pétala lhe traduz a agrura?
qual o vão que lhe dá figura?

por Henri

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Dicionário avesso


Eu gosto da simplicidade,
mesmo,
daquela simplicidade autêntica,
sem anseios e receios
de mostrar-se desabrochada em descolor.
As partes do ser
não se retêm naquela
flor constante de beleza
eternizada no polímero,
e a força motriz das palavras
está num compasso
de longa sinfonia,
dos graves e agudos soados
em tons repentinos...
Quem diria!
A simplicidade nunca tão longe
da modéstia se indagaria
de seu verdadeiro valor!

por Henri

sábado, 8 de setembro de 2007

Antepasso


Quando o passo
antecede o outro,
o espaço torna-se moço
e os suspiros sopram
num êxtase perdido.

E as periferias de meus
olhares rabiscam-lhe a silhueta
esperando que comece a chover
e numa gota de chuva,
deitada em orvalho,

esteja você pronta
para ser desenhada
ao que a gota toque o chão.
E os passeios, em estalada,
tenham presença sua... expiro!

O som de meu calçado
a raspar no concreto da calçada
alterna-se ao ritmo extasiado
do coração em mente de si...
e me esqueço de que bate em mim.

E o passado
tem medo de não lhe agradar,
sentindo a necessidade
de fazê-la sorrir
para que a sua arte eu aspire, inspiro!

A confiança de mim mesmo
cai à sua desconhecida alma
estando eu a contemplar-lhe
a sedutora graça
na escravidão de minhas expectativas.

Momento incerto este
que degusto eu com a lentidão
que meus sentimentos precisam...
Na queda da folha morta,
cada movimento tem uma história.

A caminhada ainda é rápida demais
e eu me sinto culpado
de não resistir à agonia
de procurar-lhe nessas águas caídas,
imaginando a nuvem que lhe daria luz...

Por Henri

domingo, 2 de setembro de 2007

Estatística social mutacionada no estado substancial de uma matéria urbano-civilizada

saber sabor solidão
sulco de vida humana numa cela urbana
em que eu me esvaio nas tentações...
sou nela um líquido parado disforme inativo trocado por vezes de vasilhame
posto em jarra despejado em cuba
que realmente não me cabem...
vazo mas sou recolocado.
faço parte do que não me incorpora porque sou subproduto do produto ‘maquinizado’ coisa ‘coisado’ de que não se quer mais...
velo a vela em meu bolo que não mais que um tolo irá festejar
e ‘inchocante’ é o absurdo mantido por mim e pelo mundo passado a limpo dia-a-dia num cenário de defunto...

por Henri