sábado, 8 de setembro de 2007

Antepasso


Quando o passo
antecede o outro,
o espaço torna-se moço
e os suspiros sopram
num êxtase perdido.

E as periferias de meus
olhares rabiscam-lhe a silhueta
esperando que comece a chover
e numa gota de chuva,
deitada em orvalho,

esteja você pronta
para ser desenhada
ao que a gota toque o chão.
E os passeios, em estalada,
tenham presença sua... expiro!

O som de meu calçado
a raspar no concreto da calçada
alterna-se ao ritmo extasiado
do coração em mente de si...
e me esqueço de que bate em mim.

E o passado
tem medo de não lhe agradar,
sentindo a necessidade
de fazê-la sorrir
para que a sua arte eu aspire, inspiro!

A confiança de mim mesmo
cai à sua desconhecida alma
estando eu a contemplar-lhe
a sedutora graça
na escravidão de minhas expectativas.

Momento incerto este
que degusto eu com a lentidão
que meus sentimentos precisam...
Na queda da folha morta,
cada movimento tem uma história.

A caminhada ainda é rápida demais
e eu me sinto culpado
de não resistir à agonia
de procurar-lhe nessas águas caídas,
imaginando a nuvem que lhe daria luz...

Por Henri

1 Comment:

Daniel Aionios Devir said...

"... por meias e sapatos e outras multiplicidades do diverso..."..Haha, legal, isso lembrou uma frase antiga minha, "As pessoas usam de mais os sapatos, por isso não percebem por onde estão pisando. Voce ja parou para viver o andar?"... :), muito legal o Antepasso, mais ainda tenho de ver um comentario "melhor", mas como eu gostei desse texto e da frase acabei não conseguindo não dzer nada :)...abraço aee!!