quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Septilha poética da maquinação indesejada


Vivemos conscientes,
de uma consciência banida
dos olhos da lógica programada.
Somos desconsciência dessa
nossa heteronomia criativa,
que só nos pode parecer
independentemente compromissada.

Está despedida
a vontade querida
pelos sujeitos de vai-vem vida.
E embolados estes num jogo de bem e mal
em que não existe
revezamento de estágios.
Já passam das horas vindouras.

As campanhas da sina
imperam a ordem bem-vinda
em que cacos não sobram
do esbarrão mais público, feito de
câmbio de feridas.
E há quem diga que tudo não passa
de vida em momentos,

resíduo de Carpe Diem
que só faz sobrar o bagaço
mais exaurido daquela origem.
Um resíduo também mutilante que
mutilando o olhar do sujeito
só deixa em pé um olho paralítico
sobre a etimologia da expressão.

Somos a inconsciência
provinda da consciência incerta e
despedaçados em gente molesta,
cancelados na impetuosidade atômica
ou em moléculas em crise crônica.
São as superfícies que aumentam
pela incapacidade, fraca, das interações.

E no barômetro, não assusta
que já se tenha perdido a escala.
E o termômetro, ora, na certeza de si,
em negativo indica nossa ebulição.
Pasmo do zero absoluto
não ser tão bem na física levado
quanto nessa confraternização.

por Henri