domingo, 23 de março de 2008

A viuvinha


A nevasca repentina da manhã passada
na cidadezinha cafeinada
trouxe alívio para a viuvinha desaliviada.
Recusada e sentada coberta
à varandinha amadeirada
de sua descuidada casa.
A nevasca que parou a estação de trem,
fechou as vias municipais,
e as inter-municipais também,
desfolhou os galhos longe do outono,
despiou os extrovertidos passarinhos,
despejou o joão-de-barro,
cobriu todos os telhados,
gelou os corpos amanhecidos...
e até mesmo desviou a atenção
do pão ou do circo madrugados.
Só mesmo ela sentiu-se à vontade
em catástrofe tão catastrófica.
Só mesmo ela não se arrepiou
em sua cadeira de balanço torta.
Só ela reconheceu no nada
que sem par não há história!

por Henri

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