terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Por meias e sapatos


Ano novo, cenas novas...
presente novo e desligado
recém-nascido de uma fúria
incontrolável...
sapato novo,
meia nova,
e velhas calças.
Ah, velhas! Rasgadas e tudo,
mas a meia é branquinha,
o sapato limpinho...
prontos para pisotear,
correr, andar, pular...
se aventurar ruidosa
e ensurdecedoramente...
e não sujar ou machucar
aqueles pés de um barro,
propositalmente, pisoteado...
Banho novo,
pele nova, vestido novo.
Clarinho!
Que até reflete na alma o seu vazio,
ou é mesmo paz.
Uma paz que não tem nada
com o que se preocupar...
Presente novo,
esperança nova,
sorrisos novos que vêm
repentinamente após
os estrondosos fogos
anunciando o reveillón.
Mas não tarde a seguir-se
de um pranto por uma briga...
de seus lamentos, de suas feridas.
Elas tornaram-se velhas,
brindadas no fim de um segundo...
E como tudo o que é velho,
ficam pra trás,
a gente delas se desfaz...
Existiu uns minutos atrás,
agora não existe mais...
Para começar o novo,
o zero bala, o pronto pra outra,
nem que seja de repente
e da forma mais insurgente...
Porque urge escorar a coragem
nas brechas incontestáveis
do calendário...

por Henri

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